A última aula de direito civil teve momentos engraçados. Em determinado momento, a professora comentou sobre a dificuldade de se manter uma boa convivência entre vizinhos. Daí, fiz um comentário que saiu um pouco mais alto do que o desejado: - É... conviver com as pessoas é uma porcaria... - o que causou furor na galera do fundo e me rendeu um olhar espantado da professora: - Nossa! Assim eu saio daqui em depressão. Não sei bem porque essa minha simples manifestação a deprimiria; de qualquer jeito a aula seguiu, mas foi o suficiente para que ela seguisse meus movimentos durante a aula e prestasse atenção aos meus sempre pertinentes comentários com o pessoal ao lado. Em outro momento, ela falou sobre construções irregulares (ou suspeitas), porém não mencionou quais. Então, eu disse que estaria em uma delas naquele dia mesmo, mais especificamente no cinema. Como ela não conseguiu entender da distância que estava, perguntou-me e tive que repetir em alto e bom tom, mais uma vez para a agitação do fundo, de onde veio uma pergunta supostamente indignada: - E nem convida? - Bem, eu vou estar lá. Quem quiser que vá também. Aí mesmo é que a professora ficou abismada. Um pouco depois, já no fim da aula, ela fazia outra explicação e de repente parou, encarando-me. A turma se agitou e ela me perguntou se até ali estava tudo bem, o que causou certa surpresa na turma e em mim, e eu disse que sim e que ela poderia continuar. O pessoal ria mesmo sem entender nada, e ela resolveu se explicar: - É que ele 'tava me olhando com uma cara de mau... As risadas e os berros "ele é assim mesmo!" preencheram a sala. E logo naquele dia que eu estava me sentindo tão bonzinho. Ou quase.
O espelho não me prova que envelheço Enquanto andares par com a mocidade; Mas se de rugas vir teu rosto impresso, Já sei que a Morte a minha vida invade.
Pois toda esta beleza que te veste Vem de meu coração, que é teu espelho; O meu vive em teu peito, e o teu me deste: Por isso como posso ser mais velho?
Portanto, amor, tenhas de ti cuidado Que eu, não por mim, antes por ti, terei; Levar teu coração, tão desvelado Qual ama guarda o doce infante, eu hei.
E nem penses em volta, morto o meu, Pois para sempre é que me deste o teu
Pelo número e qualidade dos acontecimentos, parece que eu perdi a semana do semestre durante minha estada no Rio de Janeiro. Felizmente, ainda haverá desdobramentos futuros.
Aline Sem Classe diz ter mudado; que seus impulsos estão sob controle e que se tornou uma menina bem comportada. E, para surpresa de todos, disse ter superado sua fobia em relação aos anões cabeças-de-feijão. Ha! Como se ela fosse deixar de ser o que é. Basta uma mínima alfinetada para que ela aumente a voz e xingue. Embora, eu devo reconhecer que as ofensas estão mais comedidas e ela se esforça bastante para manter a compostura mesmo quando provocada. Quanto a sua fobia, bem, ela não aceitou o desafio de abraçar e beijar um anão cabeça-de-feijão na testa. Para ir ao encontro da Ratalhada, Sem Classe esqueceu de um detalhe: que combinara com sua sogra sair para comprar roupas. Com o papo já em alta, ela recebe uma ligação do cunhado, perguntando onde ela se encontrava e dizendo que a sogra estava à espera. Quero saber como ela escapou dessa.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
Roído às
19:29h
por HardyBrevy
Futebol Feminino e a Síndrome de Terceiro Mundo
Não pouparam palavras enaltecedoras quanto a campanha da equipe feminina de futebol do Brasil durante as Olimpíadas. Até porque não valia perder tempo com o time do anão desgarrado. Então, fiz um esforço descomunal para assistir àquela chatice de futebol feminino e ainda torcer na final contra os Estados Unidos, contrariando a lógica. Claro. Porque o resultado da final para mim era previsível. Poder divinatório? Não. Apenas sabia que a síndrome de inferioridade característica de nossos atletas se manifestaria novamente. Assim, as brasileiras não tiveram competência para derrotar o acuado time norte-americano. E até minha mãe conhece e (não cansou de repetir) a máxima do "quem não faz leva". As jogadoras passavam a responsabilidade (bola?) para a seguinte ao mesmo tempo que esbravejavam sem qualquer motivo aparente. E por volta dos 20 minutos do segundo tempo já estavam quase sem fôlego enquanto o time norte-americano seguia com tediosa tranqüilidade. Na prorrogação, foi o tempo de eu ir ao banheiro para sair o gol das adversárias que até agora não vi e nem faço questão. Existem boas chances de que a síndrome tenha duas exceções nas finais do vôlei. Outro esporte que só (quando) assisto (é) por obrigação à pátria. Mais uma vez ficou comprovada a eficiência do conjunto cereais, ovos e bacon contra a média e o pão com manteiga.
Dentro do carro, a caminho do Norte Shopping, base da Galeria Gourmet onde haveria o encontro, passando pela Av. Suburbana iniciou-se um debate após eu perceber uma mudança inusitada no visual. Dos dois lados da avenida há, agora, uma pizzaria York. Rato Serrão confirmou que nunca notara isso, mas Gisele, a Estressada, não perdeu tempo em nos rebater: - Mas isso está ali desde sempre. - Eu sabia que havia aquela da esquina do outro lado. Essa aqui pra mim é nova - eu disse. - Pra mim também, amor - concordou comigo cautelosamente Serrão, não querendo alterar o humor de sua noiva. - Tá aí desde sempre - ratificou Gisele. Então, eu e Serrão argumentamos que primeiro surgira a da esquina e depois, sem que nós dois notássemos, a outra. A muito custo, Gisele retrocedeu e concordou que a outra veio depois, embora ela insistisse que em um curtíssimo espaço de tempo. - Mesmo assim você concorda que uma veio depois da outra e elas não apareceram juntas? - falei, sacramentando a vitória. - Sim. Mas foi isso que eu quis dizer. Vai entender.
E foi de Rato Serrão, o Pilantra, a primeira pérola dessa passagem pelo Rio de Janeiro. Não querendo desperdiçar a oportunidade de fazer um agrado para Gisele, a Estressada, sua noiva, Serrão disse: - Meu amor, você sabe que perto de você eu sou um régis mortal.
Rússia e Geórgia parecem estar em uma intensa disputa na modalidade de lançamento de mísseis contra civis.
"Enquanto se considerar a guerra como uma crueldade, ela terá sempre o ser fascínio. Quando for encarada com vulgaridade, deixará de ser atraente." Oscar Wilde (1854-1900), dramaturgo inglês.
Reunido no bar com o pessoal da turma ainda antes do início das aulas, uma colega contava sobre suas férias e suas aventuras no carnaval de inverno de Criciuma. - Tomei todas. Perdi até a caixa preta. Não pude deixar de pensar em como essa frase seria interpretada no Rio de Janeiro.
A aula de Hermenêutica Jurídica me deu a impressão de que o tema poderia ser resumir conforme o trecho abaixo:
“Quando eu uso uma palavra”, Humpty Dumpty disse em um tom um tanto formal, “isto significa que eu escolho o que ela significa – nem mais nem menos”. “A questão é”, disse Alice, “se você pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes”. “A questão é”, disse Humpty Dumpty, “quem é o chefe – isto é tudo”. (Lewis Carroll em Alice Através do Espelho.)