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quarta-feira, 9 de julho de 2008


Mais um João

Primeiro foi João Hélio. Agora João Roberto. Muitos "Joões" têm perdido suas vidas pela violência desenfreada que assola não só o Rio de Janeiro, mas todo o país. Por ser a "Cidade Maravilhosa", o Rio de Janeiro está sempre no noticiário. A diferença entre a primeira e a segunda atrocidade é que aquela foi protagonizada por bandidos enquanto esta, por policiais.
E a diferença é pungente. A população sempre encara os policiais como servidores pagos para protegê-la. E quando aqueles que deveriam proteger matam, dissemina-se a revolta, o alarme, a desesperança.

O erro é injustificável. Não se dispara uma arma de fogo sem se ter certeza do alvo. Os policiais serão devidamente sacrificados ao longo de um processo arrastado. Já estão indiciados por homicídio doloso como apregoam as notícias. O governador fluminense já os declarou "débeis mentais"; o secretário de segurança, "despreparados".

A perspectiva para esse caso é o mesmo dos outros. O furor passará. A tragédia será esquecida em meio a tantas outras até que uma nova surja e desperte a memória.

O clamor pela segurança normalmente passa pela etapa do aumento do policiamento, o que implica em contratar mais policiais. A característica da polícia militar de salários baixos e alto risco não é uma combinação atraente. Os que ousam aventurar-se necessitam do emprego. Para acomodá-los, os padrões caem. Enquanto as polícias federais buscam por uma excelência na bagagem educacional, a polícia militar não pode se dar a esse luxo.

A formação do policial inicia-se pelo rigor na seleção: o caráter, a capacidade de discernimento ético e moral são fundamentais. O curso deve ter a duração para formar um policial preparado intelecto-fisicamente e deve continuar ao longo da carreira. Testes físicos, treinamento com armas de fogo, de abordagem e interação com o público e acompanhamento psicológico. Aí sim, salários dignos e meios para executar o serviço terão efeito real. Os policiais não se formam assassinos, tornam-se pelo descaso a que são relegados durante sua carreira. A pressão a que estão submetidos é atroz. Os honestos perdem-se em meios aos corruptos. Todos ingredientes da receita do caos da segurança pública.

E quando policiais tentam fazer o seu trabalho, o despreparo e a pressão somam-se e o resultado é a perda de mais um João. Que os policiais envolvidos sejam julgados pelo seu erro é o risco dessa ingrata profissão. Mas cuidemo-nos, pois os reais vilões dessa história também estão entre os que clamam por justiça.


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